quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Viver em sociedade – por que ninguém mais segue regras?

No mundo moderno, existem tantas coisas estressantes: o tráfego, nossos empregos, a escola, o trabalho doméstico. No entanto, em nosso dia-a-dia, muitos tentam fazer o melhor que podem para conviver com essas dificuldades. Mas será que cumprir as regras que regem nossa vida em sociedade é tão estressante e difícil como enfrentar o trânsito, ir trabalhar todos os dias ou sair para fazer compras no supermercado?

Meu marido e eu moramos em um condomínio no centro da cidade. É um lugar agradável, alegre, com padarias e lojas nas proximidades. Como em todas a instituições do mundo, existem regras para a convivência dos seres humanos (e dos seres animais também). Essas regras, a meu ver, parecem justas para todos. Não vejo nenhuma regra ofensiva a ninguém, algo que seja impossível de ser cumprido. Talvez outras pessoas pensem diferente, não sei...

Já foi muito bom morar neste prédio. Antes, só havia famílias com crianças. Agora, existem 22 repúblicas de estudantes instaladas... e as famílias com crianças não moram mais aqui, já se foram há muito tempo. É claro que o condomínio tem um conjunto de regras, devidamente registradas por escrito, com os direitos e deveres de cada condômino. Infelizmente, pelo que pude notar ao longo desses doze anos em que moramos aqui, agora cada apartamento tem seu próprio conjunto de regras. Algumas pessoas, por exemplo, ligam rádio ou televisão no último volume, gritam pela janela para chamar alguém na rua, jogam tocos de cigarro ou tuchos de cabelo pela janela, dejetos esses que entram nos apartamentos inferiores trazidos pelo vento, entre outras transgressões.

Dia desses aconteceu algo incrível. Fomos, meu marido e eu, à reunião de condomínio. Entre um assunto e outro, alguém comentou sobre o velho problema de as pessoas deixarem seus animais soltos pelas áreas comuns do edifício. A regra do condomínio é que, nas áreas comuns, as pessoas devem transitar carregando seus cachorros "no colo". Então, várias pessoas comentaram já ter visto uma pessoa andando com seu cachorro na garagem do prédio, e que inclusive esse cachorro fazia suas necessidades fisiológicas ali, na garagem mesmo. Uma jovem senhora que estava sentada ao meu lado acrescentou: "É mesmo, principalmente em dias de chuva".

A reunião continuou e convocou-se uma "comissão" para resolver alguns assuntos do prédio, como nova pintura, etc. Falou-se inclusive numa "comissão" de boas maneiras. A tal jovem senhora candidatou-se para a comissão de pintura. Até aí, tudo bem.

Bem, estava eu numa terça-feira voltando da rua, às 8:00h da manhã (tinha acabado de deixar meu marido no trabalho), quando, ao abrir o portão da garagem, entra uma pessoa comigo, vindo da rua também. Essa pessoa trazia o cachorro na coleira e notei que ela não pegou o cachorro no colo ao entrar na garagem. Estacionei o carro e fui até o elevador. Deu tempo de encontrar a senhora já dentro do elevador com o cachorro... solto no chão, e sem coleira!!! Fiquei indignada! Perguntei imediatamente o número do apartamento dela e ela, sem pestanejar, disse que era o 62. Quando ela tirou os óculos escuros, percebi: era ela, a mesma senhora que estava sentada ao meu lado na reunião de condomínio!!! Eu perguntei a ela se ela não estava na reunião e se não tinha ouvido as pessoas comentarem a respeito do cachorro e ela respondeu que SIM! Na maior cara-de-pau! Fiquei tão indignada! Eu disse que infelizmente faria uma reclamação contra ela e ela simplesmente respondeu: "É um direito seu".

Fiquei pensando: então será que ela acha que é um direito dela romper as regras do condomínio?

Pensei em todas as pessoas que não seguem as regras de convívio em sociedade, como aquelas que matam, roubam, sequestram: será que essas pessoas também acham que têm direito de romper as regras?

A meu ver, o episódio com essa senhora e seu cachorro não é apenas uma questão de falta de boas maneiras. Hoje em dia, ninguém mostra mais respeito por ninguém. Aluno (quando não manda matar!) não respeita professor, colegas de trabalho não respeitam colegas de trabalho, pessoas não respeitam pessoas que atendem em lojas, supermercados ou outros lugares públicos.

Quais seriam as causas de tal comportamento? O que leva uma pessoa a colocar o som no último volume em sua casa sem se preocupar se seu vizinho está trabalhando, estudando ou dormindo? Seria um sentimento errado de superioridade, de achar que tem mais direitos do que os outros seres humanos? Seria um problema cultural? Será que o estresse das cidades grandes explicaria tal comportamento?

Quanto mais eu penso, menos chego a uma conclusão. Acho que é responsabilidade de todos contribuir para uma vida melhor em sociedade. Mas, infelizmente, quando eu presencio comportamentos como esse, confesso que fico muito brava, e sei que a raiva não é um bom sentimento. Mas é que dá uma falta de ar enorme saber que a pessoa não se importa realmente com nada e que ainda ri de você.

Estamos vivendo em uma época realmente muito estranha.

Acho que devemos orar e pedir a Deus serenidade.

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